À Segunda Vista

Construindo um escritor

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Djonatha Geremias

Içara, 21 de março de 2011


Pronto: consegui começar a escrever.
Mas vou escrever sobre o quê?
E será que vai ter alguém para ler isso?
Do contrário, estou escrevendo para nada.
Será mesmo que os escritores se satisfazem só escrevendo?
Ou será que eles só se satisfazem se forem lidos?

Mas, calma, se alguém ler, tem que ser algo que mexa com eles.
Eles? Estou otimista. Talvez apenas uma pessoa leia.
Se bem que cada leitor é único, é um só leitor, no singular.
Será que ele sabe que é importante?
Ou acha que os outros eventuais leitores é que importam para este texto?

Espera!! (Não, não... esperar , não! Ninguém gosta de esperar)
Veja bem!! Para esses questionamentos existirem,
É preciso que alguém os esteja lendo neste exato momento.
Ei, você! (“Sou eu”, você pode pensar).
Sabia que é você quem dá sentido a esse texto?

Qual é! Não estou generalizando, você mesmo é importante!
Por que chegou até aqui?
Não sei onde você está, nem no que está pensando,
Mas gostaria tanto de saber o que te fez não desistir deste texto.
Preciso achar uma forma de não te deixar na mão.

Se o leitor não desistiu, por que eu deveria desistir?
Aposto que você nunca presenciou tanta insegurança de um escritor.
Não sei ler daqui qual sua expectativa, mas...
Muito obrigado por me fazer companhia e não me deixar sozinho.
Não existe nada mais triste do que um escritor sem leitor.

Ah, muito obrigado mesmo.
Não se constroem mais leitores como você ultimamente...