À Segunda Vista

Política e/ou Politicagem

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Por Djonatha Geremias
“O analfabeto politico é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais” (Bertold Brecht)

“Política e Politicagem se confundem como uma imagem no espelho. Onde termina a realidade e começa o reflexo invertido e distorcido de si mesmo?” Política e Politicagem são coisas distintas, mas muitas vezes são interpretadas pelo senso comum como sinônimos.

Política diz respeito às relações sociais, aos protocolos legais que regram a sociedade. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, ela não é, necessariamente, a política partidária ou as políticas públicas. Pode-se tratar de política corporacional, comercial, de privacidade, entre outras. Entretanto, o senso comum, que impera no cotidiano das massas, sempre atribui à Política a definição de Politicagem. A Política tem relação direta com o Poder, o qual precisa ser legitimado.


Politicagem diz respeito a relações de negócios, comerciais, financeiros e interesseiros (no sentido moralmente negativo) que se dão, principalmente, nos bastidores do poder político-partidário, em um tipo de “jogo de interesses” dos políticos. Estes são pessoas legitimadas pelo poder de voto do povo como representantes deste, as quais, em tese, devem procurar atender aos interesses coletivos da população, porquanto o interesse é o motor das relações sociais.

Devido à grande ocorrência de políticos corruptos, principalmente no cenário da política brasileira, a população acabou associando a Politicagem à ideia de Política. Até porque, em geral, os políticos costumam buscar aparecer para falar com o povo em épocas de eleição, quando impulsionados pelo interesse pessoal de se elegerem e, assim, poderem praticar mais corrupção – ideia esta que se aderiu ao senso (crítico ou comum) do povo.

Essa visão acerca da “Política-Politicagem” traz sérias consequências para a sociedade como um todo. Porque traz consigo também o risco iminente de fazer as pessoas se desacreditarem da real Política, da esperança de mudar para melhor as condições sociais existentes.

Acreditar que Política se resume ao jogo da Politicagem faz o povo ficar cada vez mais INDIFERENTE à Política, piorando a qualidade do governo. Se a população não tem interesse e acredita que os políticos são todos igualmente corruptos e corruptíveis, então aí sim estes “politiqueiros” se fartarão na corrupção, beneficiando a si próprios, a seus familiares, amigos e colegas de politicagem, deixando de atender a interesses sociais, coletivos, para atender ao próprio individualismo.

Uma sociedade politicamente indiferente não irá realizar seu poder de legitimação (o voto, no caso da democracia), vendendo-o em troca de atendimentos pessoais a necessidades individualistas. E quem faz parte dessa massa individualista, indiferente, acaba repassando essa ideologia do desinteresse político, contaminando outras pessoas e, conseguintemente, as próximas gerações.

A Política precisa ser entendida como uma forma de mudança, melhoria da sociedade, por meio de um poder de governo legítimo, justo, responsável e, sobretudo, comprometido com o interesse do povo.

Mas, para se criar essa conscientização política, é preciso desenvolver Educação Política nas pessoas desde a infância. Essa educação vai impedir que elas se tornem massas de manipulação e passem a exercer a cidadania, tendo participação política responsável e ativa.