À Segunda Vista

Assessoria de Imprensa e Consultoria de Comunicação

7
Texto: Djonatha Geremias

Os
Assessores de Imprensa e Consultores de Comunicação são, em tese, profissionais com atividades distintas, muito embora, na prática, podem (e, por muitas vezes, são) realizadas por uma única pessoa.

A Diferença
Em uma determinada empresa ou organização, a comunicação é uma das chaves para o sucesso, tanto a comunicação externa quanto a interna. Na externa, atua o assessor de imprensa; na interna, o consultor de comunicação.

O que fazem?
Viabilizam o sistema de comunicação da empresa ou organização em que atuam, analisando, adaptando e ativando um planejamento institucional. O objetivo é maximizar o que é positivo e minimizar o que é negativo.

Trocando em miúdos, esses profissionais otimizam como a empresa ou organização se comunica internamente (entre colaboradores, setores e hierarquias) e externamente (frente à imprensa, às demais empresas e ao público - sociedade e/ou clientes).

Como fazem
Há, em toda empresa (aqui entende-se qualquer processo administrativo), um PLANEJAMENTO. Ele pode ser elaborado pelo presidente, pelo diretor, por um conselho de administradores, enfim. O planejamento é o Objetivo Geral, como em uma monografia, um artigo científico, etc. É no Planejamento que se encontram as metas e as POLÍTICAS de toda instituição.

Essas Políticas são normas, regras e padrões de comportamento e ações a que todos os colaboradores estão submetidos. É seguindo as Políticas que o objetivo e as metas da empresa serão atingidos, realizados.

O profissional da Comunicação Social, seja Assessor de Imprensa ou Consultor de Comunicação, inicia seu trabalho no Planejamento, por meio de quatro etapas: AVALIAÇÃO, ADAPTAÇÃO, ATIVAÇÃO e ANÁLISE. Esse é um processo cíclico, isto é, quando o profissional finaliza a última etapa, acaba voltando para a primeira.

ETAPAS DO PLANEJAMENTO

1) Avaliação
Quando o assessor de imprensa ou consultor de comunicação começa um novo trabalho, ele precisa primeiramente conhecer a empresa, estar por dentro do que ela é, do que ela faz, para quem faz, de que forma faz, saber como funciona cada setor, enfim, precisa conhecer o contexto em que a empresa e os colaboradores estão inseridos.

O Assessor de Imprensa vai notar, especialmente, de que forma a empresa se relaciona com a sociedade, com os jornalistas e a mídia pricipalmente. Precisa saber que tipo de notícias estão circulando sobre a instituição, se são positivas ou negativas, com que frequência, entre outras características.

Além disso, é importante que o assessor conheça bem a imprensa em geral do contexto da empresa, saber qual veículo divulga quais tipos de notícias, saber a reputação deles e ter os contatos com eles (telefones, e-mails, endereços, faxes, site, twitter e outros).

Importante: o jornalista que for exercer a função de assessor de imprensa deve ter um bom relacionamento com os demais jornalistas da sua área de abrangência, ter credibilidade perante eles, ética, bom-senso e respeito (em alguns casos, formam-se até amizade, simpatia e carisma), enfim, bom profissionalismo.

Já o consultor de comunicação deve ficar mais atento sobre como a comunicação funciona entre os funcionários, como funciona o setor de relações públicas e de recursos humanos, precisa conhecer como um setor se comunica com outro, saber se é política da empresa se comunicar por memorandos, ofícios, telefonemas, recadinhos, e-mail, saber como funciona a relação entre funcionários, no sentido de divulgação de informação sobre aniversários, promoções, prêmios, falecimentos, situações familiares, entre outras.

O consultor de comunicação também deve saber qual a imagem externa da empresa, para saber se essa imagem é consequência de algum processo comunicativo interno, entre colaboradores ou entre representantes, seja na forma como fala, anda, se expressa ou até mesmo no que diz, no conteúdo de suas informações, em entrevistas, por exemplo.

2) Adaptação
Esse é o período quando o profissional da comunicação cria mecanismos, dentro do Planejamento e conforme as Políticas da empresa, para melhorar o processo comunicativo interno e externo (segundo suas funções) da instituição. É aqui que o profissional desenvolve meios de corrigir falhas e otimizar o que já funciona bem.

Tudo isso, nesta etapa, é um projeto. É colocar todo o resultado da Análise na mesa e pensar: "Diante disso, precisa-se mudar aqui e aqui. Esse outro aqui dá para melhorar se isso aqui deixar de ser feito. Ah, falta isso aqui também."

Entram aqui os processos específicos de cada setor da instituição, chamados de PLANOS. Eles é que vão definir de que modo cada setor vai seguir para atingir aos objetivos gerais do Planejamento.

3) Ativação
Uma vez aprovado o projeto, bem idealizado e fundamentado, é hora de pôr em prática e fazer as alterações necessárias. Na Ativação, o assessor de imprensa vai começar a produção de Releases e o consultor de comunicação a fazer suas recomendações e o Media Training (capacitações periódicas aos colaboradores sobre como proceder perante a mídia e instruí-los a utilizar os novos modelos de comunicação interna da empresa).

Busca-se aqui uma mudança de cultura, que não é simples nem fácil. Às vezes, pode-se levar anos para criar uma nova forma de pensar a comunicação naquele ambiente. Quem busca soluções rápidas deve estar preparado para encarar demissões e substituição de funcionários, o que acaba sendo algo negativo na maior parte das vezes (depende do Planejamento e das Políticas adotadas).

4) Avaliação
Pronto, no prazo de tempo estipulado, a instituição alcançou as metas do Planejamento seguindo as mudanças? Se sim, é hora de repensar as metas e analisar se o atual modo de comunicação vai atender aos requisitos delas. Se não, procurar as falhas e buscar soluções. Em ambos os casos, a Avaliação se confundirá com a Análise (primeira etapa) e, em um processo cíclico, todas as etapas se repetem.

EXEMPLO

Modelo PIZZA: Você quer comer uma pizza, mas não só de um sabor. Então você decide pedir uma por telefone. Aqui você já fez a ANÁLISE, na qual você identificou que você está com fome, você quer comer pizza, não tem pizza em casa e você quer comer vários sabores diferentes.
Depois, você bolou um modo de conseguir isso, passando pela etapa de ADAPTAÇÃO: pegar o telefone e ligar para o disk-pizza. Indo além, você idealiza quais sabores quer: calabresa, mussarela, portuguesa, franco com catupiry e um outro.
Bem, aqui você tem o PLANEJAMENTO: Comer uma pizza de vários sabores. Os PLANOS: cada fatia da pizza de um sabor, neste caso: cinco planos. Você define como eles serão: um será desse sabor, esse plano deverá ser de outro sabor e, este terceiro, de um sabor doce, etc.
Depois, você vai para o processo de ATIVAÇÃO, quando você fisicamente pega o telefone, disca para a pizzaria e relata seu pedido. Depois que sua pizza chegar, você encara a etapa de AVALIAÇÃO: abre a caixa e confere se os Planos estão de acordo. Fatias unidas, objetivos específicos, atendendo a um objetivo geral, o planejamento, ou seja, sua pizza, estão de acordo? Então... Bom apetite.

IMPROVISO
Sempre haverá situações que não estavam previstas pelo profissional da comunicação no momento da Adaptação. É importante que ele sempre preveja o que pode dar errado, isto é, prevenir crises. Mas quando ela surge (e ela sempre surge), entra outro componente importante desta área: as ESTRATÉGIAS.

Elas são as ações tomadas em caráter extraordinário (sempre seguindo as Políticas do Planejamento). Por exemplo: um funcionário (colaborador) morreu em um acidente de trabalho. Não sendo o profissional da comunicação (óbvio), ele deve decidir de que forma a empresa vai trabalhar o caso:

"Vai ser divulgado para a imprensa? Se sim, de que forma, onde, com que abordagem? De quem foi a culpa? Havia proteção? A vítima era mesmo capacitada para exercer aquela função? Como a empresa se comportará diante da família? E da mídia em geral? Vão mesmo falar ou abafar o caso? Se abafar, o que acontece se algum jornal descobrir e questionar? Quem vai falar em nome da empresa, vai falar o que? Vai estar qualificado para isso? Se for falar, é preciso provar que isso não vai acontecer de novo, que a empresa está arduamente trabalhando em uma forma de evitar esse tipo de acidente."

O que está em jogo é a imagem da empresa perante a sociedade. É com isto que o Assessor de Imprensa e o Consultor em Comunicação devem se preocupar sempre em toda situação.

1ª Foto: agenciacomunic.blogspot.com
2ª Foto: plennasim.com.br
3ª Foto: ncicommunications.com
4ª Foto: arquimagem.com.br
Foto: soniamariarsilva.blogspot.com
Foto: glaucocortez.com
Foto: navegandosonhos.blogspot.com

Este texto é um apanhado geral de duas profissões da Comunicação Social, geralmente exercidas por jornalistas formados, mas que não são muito conhecidas pela sociedade consumidora, a sociedade cliente. São profissionais de suma importância para o Jornalismo diário e para a evolução das empresas em qualquer área. Isso que escrevi faz parte do plano de aula das disciplinas de Assessoria de Comunicação e Consultoria de Comunicação, ministradas respectivamente pelas minhas professoras @MariliaKoenig e @ClaudiaNandi (e seu amigo imagirário Gaspar), na 7ª fase do curso de "Comunicação Social - Jornalismo", da Faculdade Satc. Espero que sirva para algum estudante ou profissional da área. ((E sim, são 5h50min da manhã de quarta-feira... boa noite!))