À Segunda Vista

Juliet

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Ah, acaso Shakespeare houvera a conhecido
Saber-se-ia um infanto pupilo do drama
Enrubesceria diante de tal ama
Pela qual adoeceria não tê-la escrito

Quem me dera se William, desse vosso olhar
Despudorado, feminino e perigoso
Encanto de brilho despretensioso
houvesse escutado tal vívido gargalhar

E se vós o interpelásseis, menina irrequieta,
As melhores tragédias, despediria aos estábulos
De nova pena, comporia mais encantadores diálogos
O bardo de Avon reaprenderia a ser poeta

Ah, mísero de mim, séculos depois agora
Pois coube a mim, não ao dramaturgo
A mim, demérito eco de um sistema burgo
Dever um poema a tal jovem senhora

Porque não deveria precisar de ser poeta
Quem enxergasse, dessa Juliet, a intríseca poesia
Azar de Shakespeare, que não a pode conhecer,
E dos Romeos que não souberam o quanto ela valia

Não intento ser personagem de contos ou referências
Basta-me ser grato por conhecê-la
Deusa, filha de Júpiter, princesa e estrela
É em Diana que a poesia sorri em reticências...

Djonatha Geremias