À Segunda Vista

A Profecia da Poesia

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Ei, povos!
Parai e ouvi-me!

Porque minhas palavras dançam
na boca dos poetas livres
Sempre novas e belas,
ainda que tristes
ou verdadeiras mentiras

Eu sou a poesia de merda
A poesia das flores
A poesia desafinada
A dos romances
E das dores mal rimadas

E ordeno agora
de véu, em mel e ao léu
Que sedes todos vós
tomados de céu
De infinito, de vento e noite

Para que, à minha saia, choreis
Não lágrimas, nem versos
Mas sim silêncios
Que os peitos encham-se de...
E que nessa ausência de explicação
Encontrem-me.

Eu sou... a poesia da conexão
Do beijo roubado em sonho
A vontade por trás das mesas frias
E até na razão do fracasso, eu sou.
Descubra-me em ti.

Porque dias vergonhosos são estes
Em que sou prostituída nas casas.
Adorada pela ignorância dos rasos
E até tu, igualando-te, aplaudiste.

Ei, tu, poeta que dormes!
Pare teu fuzuê e ouve-me:

Que as minhas palavras dancem
na tua boca, ó, criança livre.


Djonatha Geremias